Os efeitos da inflação na economia e nos seus investimentos

A inflação, de forma simplificada, é quando ocorre um aumento generalizado dos preços de bens e serviços. Não é um aumento isolado, mas sim, em todos os produtos comercializados. 

Ela também influencia na diminuição do poder de compra da moeda do país. Devido aos fatores principais de oferta e demanda, e custo por produção.

O principal motivo do porque esse aumento de preços afeta a economia diretamente é que nós começamos a perder o nosso poder compra.

Já que o salário não acompanha a alta nos preços.

Então o salário recebido pelas pessoas passa a ser menor do que a inflação e isso faz com que elas possam comprar menos produtos do que antes.

Esse é o maior sinal da inflação, quando o custo de vida começa a subir.

Comprar um produto ou serviço passa a ser mais caro do que era há alguns anos atrás. O que torna mais difícil manter e sustentar um padrão de vida quando os produtos sobem e o salário não.

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Quais os principais fatores que influenciam a inflação?

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A Oferta e Demanda

Se existem muitas pessoas procurando por um produto ou serviço (demanda) com pouca disponibilidade ou não tendo o suficiente para todos, o preço começa a subir.

Mas se acontecer outro cenário onde poucas pessoas procuram adquirir o produto/serviço, o preço tende a cair. Como uma desvalorização.

Aumento dos custos por produção

Essa é outra possibilidade que causa grande impacto no aumento dos preços dos produtos/serviços.

E isso pode ser de vários fatores: desde o aumento do preço da matéria-prima, o salário dos funcionários e os impostos pagos pelo governo.

Como forma de garantir o lucro e não trabalhar de “graça”, o custo é somado e repassado para quem está comprando (consumidor) como um preço maior para adquirir o produto.

Emissão de papel-moeda

Uma outra causa que também influencia o aumento dos preços e a inflação, é a necessidade de criar mais dinheiro.

O que representa um número maior de notas de dinheiro estarão nas ruas e impactam na oferta e demanda, onde existe uma demanda muito maior do que a oferta de produtos e o preço subirem.

Cenário da inflação em 2022

Você já deve estar ciente de que a inflação está sendo notícia por todo o país. Mas, de acordo com o Banco Central, a estimativa de inflação em 2022 reduziu para 7,15% em pesquisa divulgada nesta semana.

Essa estimativa de inflação mais baixa tem relação com o corte de impostos cobrados sobre alguns itens essenciais, como a energia elétrica e os combustíveis, que impactam diretamente a inflação e também indiretamente o preço de outros itens

Essa estratégia do governo para segurar os preços em ano eleitoral reduziram a inflação em 2022. 

Mas só para você ter uma ideia a estimativa da inflação como meta para 2022 é de 3,50%. Atualmente a inflação é o dobro dessa estimativa.

Para tentar atingir essa meta, o Banco Central aumenta ou diminui a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, que atualmente está em 13,25%.

E como a inflação afeta os investimentos?

O seu poder de compra diminuiu conforme o tempo passou e agora você precisa de mais dinheiro para comprar algo.

O mesmo acontece com a rentabilidade dos seus investimentos.

O aumento da Selic, por sua vez, trouxe outras duas grandes consequências para o investidor

A primeira foi a valorização do real. Com as nossas taxas de juros voltando a ser as maiores do mundo, nós recebemos um fluxo enorme de recursos e passamos a atrair capital especulativo, valorizando nossa moeda.

A segunda foi o fluxo de investimentos. Com uma taxa “livre de risco” rendendo quase 1% ao mês, os investidores resgataram seus investimentos de risco.

Mas como fazer bons investimentos nesse cenário?

Bom, já sabendo como a inflação funciona e as consequências que ela traz para a economia e para os investimentos, separei alguns tópicos interessantes para você, investidor, seguir nesse atual cenário econômico.

O retorno de 100% do CDI pode não ser interessante

Essa taxa do CDI segue de perto a taxa Selic. Por isso, quando um investimento oferece 100% do CDI significa que vai acompanhar a Selic de perto. O problema é se a Selic vai ultrapassar ou não o valor da inflação e muitas vezes não vai.

Renda Fixa é uma boa opção

Como muitos desses ativos (Tesouro Selic/IPCA, CDB, LCI/LCA etc) têm os rendimentos ligados à taxa básica de juros, os investimentos em renda fixa tem ficado cada vez mais em evidência e garantido mais espaço nas carteiras de investimento.

Evite a Poupança

A Poupança até era um bom investimento no final da década de 1990, e por isso ainda é tão popular atualmente, pois rendia dígitos duplos acima da inflação.

Porém, essa relação mudou e a poupança passou a oferecer retornos bem modestos para uma aplicação de baixo risco.

Renda Variável pode ser interessante

Apesar do ciclo de alta de juros tornar algumas aplicações de renda variável, como ações, menos atrativas e exigir cautela do investidor, os papéis de alguns setores merecem atenção. Como o setor bancário, já que o aumento da Selic impacta diretamente as receitas dos bancos, por conta dos juros cobrados dos clientes.

Fique ligado na Bolsa de Valores

Aplicando em ações, ETFs, BDRs, Fundos Imobiliários (FIIs) e outros, você tem a possibilidade de valorizar seu investimento com a subida das cotações dos ativos e com os proventos recebidos.

Tenha cautela com títulos prefixados 

Como esses títulos rendem uma porcentagem já definida, pode ser que você perca uma oportunidade de ter seus investimentos rendendo mais, se eles acompanhassem as taxas ligadas à inflação, no caso de uma inflação maior que a porcentagem predefinida.

Siga recomendações de especialistas

Os analistas fazem todo o trabalho de estudo e escolha dos ativos, oferecendo grande possibilidade de rentabilidade superior aos índices e à inflação.

Fique atento com as taxas e impostos dos investimentos

Você deve observar se as taxas cobradas nos investimentos e os impostos incidentes não estão comprometendo a rentabilidade fazendo com que ela perca da inflação.

As taxas mais comuns são as de administração e performance cobradas nos Fundos de Investimento e ETFs, além do IR e IOF.

O que podemos aprender com isso tudo?

Mesmo com um cenário complicado, você investidor têm oportunidades de diversificar a sua carteira de investimentos, proteger seu patrimônio e até alavancar a sua rentabilidade.

Entender economia e seus impactos e consequências é crucial para um bom investidor. Principalmente porque a economia e os ciclos econômicos ditam se aquele ativo específico será bom ou ruim no momento atual.

Estar no ativo certo, no momento econômico correto, é a melhor coisa que você pode fazer pelo seu patrimônio.

Viu como estar informado sobre a economia é importante para seus investimentos?

Sua carteira não precisa ser monitorada todo ano. Mas é crucial que de vez em quando você se atente às possíveis mudanças do cenário e faça os ajustes necessários.

Você costuma fazer isso? Porque como eu mostrei acima, a inflação muda tudo. E o cenário mudou! Não só aqui no Brasil, mas em todo o resto do mundo.

Tenha em mente que estar informado e preparado é fundamental para se sair bem em qualquer cenário.

Um abraço,

Roberto Navarro.

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